Quem é Português?

Fiz o jogo do Facebook sobre quanto sou português. O resultado é que sou muito pouco português. Aliás, é apenas uma confirmação, pois quando vou ao estrangeiro nunca acreditam que tenho esta nacionalidade.

Contudo, a primavera dos povos das revoluções patrióticas já deu lugar a sociedades civis multiculturais com Estados comprometidos com a mundialização económica. Apostarei num futuro tribalista confrontando-se com a aliança entre os poderes uniformizantes de uma economia global e os seus suportes estatais?

Mas este novo tribalismo também se fragmentará no individualismo geral posicionando-se interessadamente nas vantagens de mundialização.

“Carpe Diem”, é o que vos digo. Pessimismo para os tempos que aí vêm ou sonhos de puro hedonismo? O bom senso de querer gozar a vida que resta sem a esgotar por completo em projectos que não me dizem respeito, que não me convencem.

Não me interessa empenhar-me num ensino de mera formação de técnicos, na qual a componente de cidadania consiste em moldar as pessoas em meia-dúzia de convicções burguesas: participar nas eleições para legitimar os defensores do capitalismo, ser activista em organizações da sociedade civil que não ponham em causa os grandes interesses oligarcas e industrialistas, prestar vassalagem aos patrões (há os que mandam e os que obedecem), render-se ao feitiço dos produtos, definição materializada da felicidade. A realidade dos outros não bate certo com a minha razão e o meu direito – ou só legitimidade filosófica – de não a querer.

 
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