Alexandra Kollontai – Recordando o seu Desaparecimento há Sessenta Anos (9 de Março de 2012)

 

Italiano: Aleksandra Kollontaj

Alexandra Kollontai (1872 - 1952), Soviet poli...

Aproximamos-nos do sexagésimo aniversário da morte de Alexandra Kollontai: 9 de Março de 1952.
Se Neil Armstrong foi o primeiro homem na Lua, Alexandra Kollontai foi a primeira mulher ministra de um governo republicano e embaixadora da História.
Passou pela vicissitudes da Revolução, com as suas esperanças, conquistas sociais e tragédias políticas e militares. Jamais abandonou os seus ideias, apesar de eles terem sofrido tantos reveses da própria revolução.
Muitos outros, por muito menos, sem uma visão que soubesse ir para lá das circunstâncias, desistiram e adoptaram a posição mais fácil: há coisas que estão a correr muito mal, por isso nunca será possível fazer melhor; o melhor é, sem dúvida, o que já estava. Mas as circunstâncias mudam e os ideais reavivam-se e aperfeiçoam-se, corrigem os erros. Alexandra Kollontai nunca desistiu porque os resultados da sua política foram melhores e abriram mais horizontes do que os erros que teve muitas vezes, mas nem sempre, de aceitar.
É claro que esta efeméride vai ser esquecida, dado que os seus ideais e a sua actividade em prol de uma sociedade socialmente justa, da igualdade entre homens e mulheres e da paz entre os povos, continuam perigosos e estão em perigo. Vivemos num momento em que nada disso está na ordem do dia e, sobretudo, porque vai diminuindo a justiça social e altos interesses económicos e geo-estratégicos destroem povos e esperanças (os mortos nada ganham) sob a capa ideológica dos direitos humanos.

Até lá, podemos ler um pouco da sua história pessoal e política, citada da

Fonte: http://www.marxists.org/archive/kollonta/index.htm

«Após a Revolução de Outubro, será a única mulher a ter um cargo no primeiro
escalão do governo, tornando-se Comissária do Povo (equivalente a ministro de
Estado) do Bem Estar Social e participando ativamente da elaboração da novas
leis do Estado soviético sobre os direitos da mulher, o casamento, a família etc., a
mais avançada legislação em favor dos direitos da mulher de todos os tempos.
Nestes anos revolucionários escreve Romance e Revolução, enfocando as
dificuldades da vida dos revolucionários na após a vitória do proletariado em 17.
Também neste período publica, entre outras obras ,”A mulher moderna e a classe
trabalhadora”, “Comunismo e família”, e a uma das suas obras mais divulgadas
“A nova mulher e a moral sexual”. Dentre as novelas destaca-se “Amor Vermelho”
, “Irmãs” e “O amor de três gerações”.
Em “Comunismo e Família” Kollontai escreveu:
“Se manterá a família em um Estado comunista? Persistirá na mesma forma
atual? São estas questões que atormentam, nesse momento, à mulher
trabalhadora e a seus companheiros, os homens.
Não devemos achar estranho que nesses últimos tempos este problema perturbe
a mente das mulheres trabalhadoras. A vida muda continuamente diante de
nossos olhos; antigos hábitos e costumes desaparem pouco a pouco. Toda a
existencia da familia proletaria se modifica e se organiza de uma forma tão nova,
tão fora do comum, tão estranha, como nunca podemos imaginar.
E uma das coisas que mais causa perplexidade na mulher, nesses momentos, é a
maneira como foi facilitado o divórcio.
De fato, em virtude do decreto do Comissario do Povo de 18 de dezembro de
agora em diante, a mulher trabalhadora não terá que esperar meses e, inclusive,
até anos para que seja julgado seu pedido de separação matrimonial que dê a ela
o direito de separar-se de um marido alcólatra ou violento, acostumado a
espancá-la. De agora em diante poderá se obter o divórcio amigavelmente dentro
do período de uma ou duas semanas, no máximo.
Porém, é precisamente esta facilidade para obter o divórcio, fonte de tantas
esperanças para as mulheres que são desgraçadas e seu matrimónio, o que
assusta outras mulheres, particularmente aquelas que consideram o marido como
o “provedor” da família, como o único sustento da vida, a essas mulheres que não
compreendem que devem acostumar-se a buscar e a encontrar esse sustento em
outro lugar, não na pessoa do homem, mas sim na pessoa da sociedade, do
estado”.
Aos 45 anos, casa-se pela segunda vez, com Pavel Dibenko, marinheiro e
revolucionário de grande prestígio, que após a Revolução passou a exercer
funções no Comissariado do Povo para a Marinha, 17 anos mais jovem do que
ela. Esse segundo casamento irá durar por cinco anos.
Opondo-se aos tratados de paz em separado com a Alemanha, assinado por
León Trotski, em nome do governo soviético, Kollontai vai renunciar ainda em
1918, ao cargo no governo.
Naquele ano, escreve “O Comunismo e a Família” e organiza o I Congresso das
mulheres Operárias da Rússia, no qual é criado o Zhenutder, departamento de
mulheres do Partido Comunista (novo nome do PSDOR), presidido,
primeiramente por Inessa Armand.
Em 1920, depois de um ataque cardíaco sofrido por Inessa, Kollontai assume a
direção do Zhenutder, juntamente com o Secretariado Internacional de Mulheres
da Internacional Comunista – III Internacional, organizando uma intensa
campanha nas fileiras do partido russo em defesa da mulheres. Em 1922, integra
a Oposição Operária e é destituída da direção do Departamento de Mulheres do
Posteriormente, assume o cargo de embaixadora da URSS em diversos países,
sendo a primeira mulher do mundo a ocupar o cargo de embaixadora: de 1923 a
1925, na Suécia, entre 19126 e 1927, no México, de 1926 e 1930, na Noruega e
de 1930 a 1945, na Suécia.

Alexandra Kollontai morre em Petrogrado no dia 9 de março de 1952.»

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