Dante Para o Inferno – Anti-Ocidente, Tolerância e Direitos Humanos

 

(Portuguese) Os avarentos. Dante conversa com ...

(Portuguese) Os avarentos. Dante conversa com o papa Adriano V (Divina Comédia, Purgatório, Canto XIX) (Photo credit: Wikipedia)
O que devemos fazer connosco, cujas maiores obras só trouxeram a miséria ao mundo? Falo das obras de Ésquilo, o maldito grego (já então!) que humilhou os persas com a primeira grande peça de teatro do ocidente, falo de Homero, precursor de Spielberg e que foi o primeiro a criar as fantasias que mais tarde Hollywood iria reproduzir para alienar o mundo, falo dos apóstolos, culpados pelas provações de Israel, falo de Dante, que não gostava de homossexuais e de Maomé, falo de Camões, que glorificou a expansão imperialista, falo de Shakespeare com o seu  judeu de Veneza, falo de Melville e do seu Moby Dick por causa da caça às baleias, falo de Fernando Pessoa, com a sua mania do Vº Império e dos seus orgasmos industriais, falo deBertold Brecht, que produziu uma desrespeitosa caricatura do deus persa Baal, e tantos, tantos outros que dariam para encher de prazer o mais insaciável dos masoquistas.
A resposta está na “Gherush 92 – Comité (Italiano) para os Direitos Humanos” e também em todos os que recusam activamente serem veículos desta malvada civilização ocidental, sem dúvida a pior que povoou o universo desde que ele existe. O humanismo não é nosso, é do Império do Meio. O universalismo nasceu no Japão, assim como o vegetarianismo na Índia e os muçulmanos foram as primeiras vítimas da escravatura dos marinheiros suíços. A liberdade foi uma criação dos Tuaregues e o espírito de aventura de Gengis Kahn, que inventou também a vida ao ar-livre e o bife tártaro. A ciência foi invenção dos esquimós e a tolerância religiosa dos Sunitas e dos Xiitas. A nós, que nada de bom trouxemos a este planeta, a nós cuja identidade é uma ofensa aos outro povos, a nós só nos resta desaparecer. Construamos um cadafalso e percamos, com honra, a cabeça. Antes disso, queimemos os nossos livros e os nossos quadros, ou, esperando que sejam iconoclastas, deixemos aos outros que o façam. Se não acreditam no que digo, leiam esta pérola de um(a) dos membros da tal organização de direitos humanos (que, creiam, há muitas destas por aí, e bem influentes): ”Existe uma espécie de “negacionismo” que nega os conteúdos racistas nos programas escolares: a beleza, segundo os cânones ocidentais, domina quase todas as mensagens e obras como a Divina Comédia, aclamada como obra-prima da Humanidade, valorizada pela sua importância estética e simbólica, embora exprima inequivocamente conteúdos racistas. A Comédia é considerada obra de indiscutível valor universal, sendo que boa parte dos estudantes e dos professores são hebreus e muçulmanos, cuja identidade é violada. É um escândalo que os rapazes [a senhora parece que se esqueceu das raparigas, por boas razões, religiosas, com certeza], em boa parte hebreus e muçulmanos, sejam constrangidos a estudar uma obra racista como a Divina Comédia, a qual, sob a invocação da arte, esconde tudo o que é nefando. Anti-semitismo, islamofobia, conteúdo anti-cigano, racismo devem ser combatidos através da aliança das vítimas históricas do racismo sem temerem os argumentos sobre a diversidade cultural. A continuação de um ensino deste género representa uma violação dos direitos humanos e uma evidência da natureza racista e anti-semita do nosso país, do qual o cristianismo constitui a alma. A perseguição anti-hebraica é a consequência do anti-semitismo cristão, que tem a sua origem nos Evangelhos e nas obras que foram inspiradas por eles, como a Divina Comédia. Deve ser posto em evidência a sua ligação cultural e técnico-operatória com as várias tentativas de exclusão e de extermínio, que teve o seu epítome na Shoah. É certo que a Divina Comédia inspirou os Protocolos dos Velhos Sábios de Sião, a lei racial e a solução final. Pedimos, pois, ao Ministro da Instrução Pública, ao Rabino e aos presidentes das escola hebraicas, islâmicas e outras para expurgarem a Divina Comédia dos programas escolares ou, pelo menos, inserirem os comentários e esclarecimentos necessários:”
É caso para dizer: se temos estes amigos, para que queremos inimigos?
Quando se junta – como em muita gente ocidental neste momento, numa muito triste e perigosa confusão monumental – a ignorância, o anti-imperialismo, o internacionalismo, o anti-capitalismo, o anti-americanismo, o anti-cristianismo, o anti-eu-mesmo, o ecologismo, as músicas-do-mundo, a fantasia, o vegetarianismo, o tribalismo e a falta de perspectiva histórica, é nisto que dá.
Não percebem que os valores humanistas e internacionalistas, anti-capitalistas, ecologistas, surgiram no Ocidente? Não percebem que a sociedade burguesa, capitalista, como escreveu o próprio Marx, é a mais avançada da História, apesar mas também por causa da sua capacidade de expansão e exploração mundial? Não percebem que a realidade é contraditória e que é a contradição que faz avançar o mundo? Não percebem que estão a espalhar a confusão entre os homens e mulheres progressistas do planeta inteiro e a dar armas aos obscurantistas e exploradores, tanto do Ocidente quanto de tantos outros lados? Não percebem que é preciso estudar, aprender, conhecer? Não, não percebem. O resultado será ficarmos reduzidos ao confronto entre a auto-destruição pseudo-internacionalista e o nacionalismo fascista. E quem aproveitará serão sempre os mesmos: os que forem capazes de fazer dinheiro com isso.
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