De Novo o Pedagogo Guilherme Valente – Irra Que Chateia!

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Novamente aparece no blogue De Rerum Natura uma carta de Guilherme Valente enviada ao Expresso, no qual escreve:

“1. Que espírito crítico pode emergir na ignorância ou ser alimentado por ela?

A cultura é condição da consciência crítica. A memória é inerente ao acto de pensar. Como é possível o espírito crítico sem se saber e reter na memória nada de relevante?

2. Quanto ao logro do «ensinar apenas para os exames» disseram tudo dois prestigiados professores : António Mouzinho, no blogue De Rerum Natura , e Paulo Guinote, no Expresso (23/6/12).

3. Se me pedirem para destacar o traço matricial da ideologia imposta à escola durante todos estes anos, direi sem hesitar: o ódio à cultura e ao conhecimento, referidos como «burgueses» e instrumentos de discriminação e reprodução social.”

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Volto a dizer. Está errado. O ódio à cultura, nomeadamente à grande cultura burguesa, se podemos generalizar assim, vem daqueles que promovem a sub-cultura burguesa de massas, que vende muito mais facilmente com a vantagem de manter as pessoas alienadas. Não atire areia para os olhos das pessoas. A esquerda (não caviar), a esquerda lúcida, marxista ou outra mas séria, nunca foi de facilíssimos didácticos, por exemplo contra os exames, nem de desprezo pelas obras do nosso património artístico.  Karl Marx, só para citar um dos autores do património da esquerda séria, escreveu que os exames, não constituindo o objectivo do ensino-aprendizagem, eram a burocracia necessária da aprendizagem, como uma das formas imprescindíveis de submeter o conhecimento à prova. Mas não a reduz a exames. A articulação do saber com a prática deve ser um instrumento fundamental da aprendizagem. A maioria dos autores de referência da chamada Escola Nova estão, pelo contrário, mais para o lado do misticismo e do jogo. A esquerda séria sempre exigiu que se estudasse Camões como Cesário Verde, Fernando Pessoa ou José Saramago, em Língua Portuguesa, assim como Galileu, Espinosa, Hegel, Russell, Bachelard, Piaget em Filosofia. Que faz o programa de Filosofia em vigor? Esse programa tão aclamado por Desidério Murcho. Esse programa tão anti-burguês, como teria que ser na nossa sociedade anti-capitalista! Honra e divulga estes grande filósofos burgueses? Não! Faz como já fez com Karl Marx, que apreciava, entre muitos outros, o grande poeta burguês alemão Heine: esconde-os. Este programa “ensina” a pensar no vazio, através da actividade argumentativa sobre conteúdos vagos, fora de contextos científicos e filosóficos sistemáticos, quase à maneira daqueles que Hegel criticou: aprender a nada sem se lançar à água. A esquerda séria sempre valorizou o trabalho e o saber. Aprender, aprender, aprender sempre. Sabe quem foi que escreveu? Irra que já chateia!

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