Internet – A Ficção do Saber

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Os jovens têm na Internet uma grande vantagem: a informação é mais acessível.
Os jovens têm na Internet três grandes desvantagens:
1) não sabem interpretar, avaliar e usar a informação;
2) ficam sem tempo para estudar aprofundadamente as questões;
3) acreditam que informação é conhecimento e têm por isso a ilusão de que precisam cada vez menos dos adultos, incluindo professores, para aprender como funciona o mundo;
4) obstáculo ao conhecimento sistemático, a uma concepção coerente e organizada do mundo, substituída por informações e noções fragmentárias, sem relação lógica.
Resulta disto uma ilusão de saber, que se pode analisar melhor nos termos das seguintes razões:
1) quantidade imensa e variadíssima de informação, como se o mundo inteiro estivesse representado;
2) rapidez com que as informações se modificam, se substituem e actualizam, como se estivéssemos a viver constantemente num presente absoluto;
3) caleidoscópio de interpretações mais ou menos confundidas com os factos e que não se destacam destes na forma de uma sistematização de pontos-de-vista num quadro de oposições lógicas, como se o mundo fosse idêntico às perspectivas que se têm dele, à maneira do princípio de Protágoras “O homem é a medida de todas as coisas, do que é e do que não é” mas suposto de maneira inconsciente, de onde decorre a ideia presumida de que não há pedra-de-toque da verdade e também a noção de que a verdade é de acesso fácil e imediato, sobre a qual não há muitas exigências, pois tem a urgência e a simplicidade daquilo que se adquire num “clique”.
A ilusão de saber continua pelos menos até ao momento em que para alguns privilegiados da inteligência e da cultura o mundo lhes começa a parecer opaco. Mas nesse momento é por vezes demasiado tarde. Mesmo para os que terão a oportunidade de frequentar um bom curso superior (e quantos são maus e permissivos da preguiça mental e do lugar-comum metodológico) a regressão recomeça quando o trabalho e a família passarem a monopolizar o tempo. Vai-se-lhes tornar então difícil desenvolver a sistematização objectiva da informação, ou seja, formarem conhecimento.
De facto, a Universidade e o Politécnico também nem sempre ajudam o suficiente. E, se não ajudam, é muitas vezes por questões ideológicas, ao fundarem os seus planos e conteúdos curriculares em premissas erradas e metodologias abstractas, sobretudo nas ciências humanas, com a História, a Economia, a Psicologia, Sociologia, etc..
Além de que, terminados os cursos, a realidade social e os interesses particulares em conjunto tratam de os fazer voltar a cair no senso-comum dos “ídolos da tribo” (Bacon) e do “amor-próprio” (RousseauKant), pelos quais interpretam assistematicamente as informações que recolhem quando a necessidade pessoal está em causa e voltam de novo à falta de estilo da casuística e da resposta reactiva aos dados jornalísticos e sobretudo da Internet.

Nunca foi tão difícil ser professor. Nunca foi tão difícil ser aluno.

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