OTAN (NATO) e FMI: Anjos da Guarda

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Sinto-me reconciliado com a NATO por causa da sua luta pela paz entre os povos e dentro dos povos e com o FMI pela ajuda desinteressada aos países e aos povos que têm tido mais gula que trabalho.
Tenho só pena que a NATO não disponha de mais meios bélicos para atacar mais patifes que não somente o selvático Kadhafi e apoiar a população desarmada que guerreia heroicamente aquele patife, mais patifes como os que estão à frente dos regimes sírio, yhemnita (não sei onde pôr o ‘h’ (parece que todos os patifes têm um ‘h’ onde não se sabe), iraniano, argelino, marroquino, venezuelano, boliviano, russo, chinês, islandês, palestiniano, israelita, enfim, talvez esteja esquecido de algum.
Coitados, não têm armamento suficiente desde que o Obama insiste no seu serviço nacional de saúde. Mas importante agora era impor – sim, impor – ao mundo a nossa liberdade, a liberdade que conquistámos de votar quando temos de eleger os nossos representantes e de expor as nossas ideias no Facebook e de ouvir e deixar falar as personalidades na TV e nos jornais. Se bem que a nossa maior conquista tenha sido a de votar as promessas dos autarcas quando as cumprem, seja lá de que maneira for. Apesar disso ter sido um bocado estragado pelo25 de Abril. Pois, diga-se a verdade, liberdade sem pão, como se diz, é como ar sem pulmões.
Por isso não creiam nas más línguas, como do Alfredo Barroso, que teve o desplante de afirmar na TV (essa gente devia ser calada) que a NATO atacou a Líbia (eu digo o regime líbio) porque aproveitou a revolta popular (eles tinham pulmões mas não ar) para o ocidente se vingar dos novos e muito aliciantes acordos de comércio de petróleo e gás natural com a Rússia e a China e da ingratidão natural do Kadafi para com os belos negócios que tinham com aFrança, a Grã Bretanha e os Estados Unidos. Assim, afastavam um ditador incómodo e sobretudo em perigo e ficavam bem vistos para recuperarem e monopolizarem os negócios com a Líbia. Podem dizer tudo, mas uma verdade é certa: o pão nunca sabe tão bem como quando há liberdade. E não acho que a democracia seja uma forma simpática de dividir para reinar.
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Quanto ao FMI, está tudo dito. Sempre a apoiar a liberdade e sempre a tentar fazer passar a mensagem de que a economia deve ser responsável e tem que estar ao serviço da democracia desenvolvida: uma democracia que não tolera irlandeses novos-ricos, islandeses que se recusam a pagar as dívidas dos seus bancos aos estrangeiros que jogaram nas suas acções, gregos mais compulsivamente mentirosos do que ciganos e portugueses que passam mais tempo na praia do que nos balcões das finanças. Além de que emprestam dinheiro a juros mais baixos do que o Banco Central Europeu. Por isso, não digam mal do FMI nem dos bancos e das suas agências: o dinheiro custa a ganhar.
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