O Bloco de Esquerda e a Condenação do Piropo

 

E se legislássemos contra o piropo, proibindo certa combinações de palavras? Já não me lembrava da existência dos piropos. Julgava-os em desuso. Já nem vejo sequer homens a voltar-se covardemente, de medo que os tomem por antiquados. Lá que os há ofensivos, há. Mas serão todos ofensivos? É que há piropos e piropos. E quanto aos olhares? Teremos de criar para eles um regulamento? Talvez. O piropo voltou a ser uma questão de urgência nacional? O Bloco de Esquerda lá sabe. A dedicar-se a assuntos desta inequívoca transcendência, mais valia transformar-se no Partido do Progresso Moral dos Costumes para a prevenção dos impulsos. Terão garantidos os votos das freiras católicas, da minoria muçulmana, dos homens da Embaixada da Arábia Saudita e das mulheres da Embaixada da Coreia do Norte. Mas duvido que granjeiem as simpatias do pessoal do Estaleiro Naval de Viana do Castelo e as varinas e vendedoras de legumes do Mercado do Bulhão.  Ó, mas quem é essa gente para o Bloco de Esquerda?


(O Público.pt 30.08.2013):

“O BE deseja apenas debater a questão do assédio verbal, colocando-a em discussão e não protagonizar qualquer iniciativa proibicionista do piropo, segundo a militante Adriana Lopera, presente no Fórum Socialismo2013.
A mesa-redonda intitulada “Engole o teu piropo”, pelas 10h30 de sábado, numa das salas de aula do histórico Lyceu Camões, na qual Lopera vai participar, originou muitas reacções durante o dia nas redes sociais.
 

 

“O assédio verbal é uma frase que um homem diz a uma mulher no espaço público, na rua. Por exemplo, num metro cheio, ninguém diz nada porque sabe que está a fazer algo de errado. O piropo, algo bonito, que um amigo ou um companheiro nos diz baseia-se numa relação humana”, afirmou a enfermeira de 34 anos, originária de Sevilha, mas a trabalhar em Portugal desde 2001.

 

 

 

Segundo Adriana Lopera, “se é sobre o nosso corpo, não é ‘onde fica a rua Morais Soares?'”.

 

 

 

“Está a falar do nosso corpo, da nossa estrutura física, é sobre nós, vindo de um estranho e nós não pedimos opinião. Isso é agressão verbal”, disse, ressalvando tratar-se somente de uma tentativa de trazer o tema para a reflexão geral no âmbito do combate “ao sexismo” e àquilo que considera ser uma “sociedade patriarcal”.

 

 

 

O Bloco de Esquerda organiza o Fórum Socialismo 2013, durante o qual são discutidos temas tão como diversos como a “educação às três pancadas”, a nacionalização da banca, o endividamento privado, a adopção por casais do mesmo sexo, incêndios, habitação ou segurança social”.

Já agora, aproveito para propor ao Bloco um debate sobre o magno problema do machismo na obscenidade.


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