Petrónio – Brutal na Posse e é Breve uma Volúpia

Um dos mais belos poemas da História da Literatura, com dois versos eternos e reusados ao longo dos tempos é de Petrónio, um poeta romano do século I. A frontalidade, apesar do recurso à mitologia, a naturalidade com o que o sexo é assumido como uma dimensão fundamental da vida humana, o reconhecimento de brevidade do prazer e da fraqueza da carne, não como sinal do pecado contra o espírito mas como pecado da natureza contra si própria no corpo do homem, distinguem a poesia antiga, pagã, do confessionalismo culpado, do simbolismo transcendente da terra ou da anomia final de muitos versos da era cristã. As excepções são imensas todavia entre os grandes vates da nossa era, que assim mantiveram na consciência humana os valores mundanamente supremos da literatura clássica, como são o caso de Petrarca, Camões e Whitman.
 
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«Brutal na posse e é breve uma volúpia.
Quanto a que a Vénus a exaustão persegue.
Não bestas somos, ao precipitá-la,
Na rapidez final a que corremos
(O amor se queima em sua própria chama).
Mas lá, oh, lá, nas férias sempiternas,
Nos possuiremos de oscular perene.
Lá cansaço não há, nem carne triste.
Lá só de gozo o gozo gozará.
Lá não acaba o que começa sempre.» 
(trad. Jorge de Sena)

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