Os Sentidos Nunca nos Enganam

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Segundo o filósofo crítico Kant, que valoriza a faculdade de sentir contra a opinião dos racionalistas clássicos, os sentidos nunca se enganam. O que nos engana é a interpretação que o nosso entendimento, afectado pelas paixões, faz do que percepcionamos.
Não pensava o mesmo o materialista das Luzes Helvétius que, em L’Esprit, escreveu, a propósito da reacção de uma amada que o apaixonado surpreendeu nos braços de um outro homem: «Ah!, pérfido, gritou ela. Compreendo: tu já não me amas; crês mais no que vês do naquilo que te digo.»
Tudo o que nos empenha profundamente nos cega. Duvida portanto de tudo aquilo pelo que pões as mãos no fogo. Mas, ao mesmo tempo, não traias as tuas mais íntimas paixões. As mais belas acções são aquelas pelas quais não pedimos, nem a nós próprios, razões.
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