Kadhafi – Amores e Desamores

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Amores e desamores ao “beduíno”, ao exótico, ao socialista, ao nepotista, ao ditador, ao bom e ao mau terrorista, das boas e das más causas, ao petroleiro e ao gasolineiro estratégico, tudo isto se qualificou de Kadhafi, que uniu e separou – à esquerda e à direita dos hemisférios mentais deste universo esquizóide.

Agora estão todos juntos – cada qual, em cada canto da política partidária e ideológica, na confusão irremediável das suas mentes incapazes de entender que os inimigos dos nossos inimigos não são necessariamente nossos amigos, incapazes de entender que os movimento de libertação anticolonial não são à partida, e talvez nunca à chegada, movimentos de libertação do povo e muito menos de progresso igualitário democrático e económico nem de evolução dos costumes no que toca à tolerância e à autonomia individual.

Há alguns anos, os grupos que vieram a formar o Bloco de Esquerda (UDP, PCP (ml) POUS, LCI, PSR), uma congregação dos meninos-bem da esquerda festiva e dos hiper-revolucionários das RGA e dos cartazes, entusiasmavam-se com o desafio de Kadhafi à Europa e aos Estados Unidos, elogiavam o seu apoio expresso aos terroristas nacionalistas da ETA, quando ao mesmo tempo alardeavam um internacionalismo incompatível com a ideologia nacional-socialista desse movimento basco, para o qual a vida humana vale bem menos do que o mito fascista da pátria acima de tudo. (Tenho todavia que exceptuar o dirigente do Bloco Miguel Portas que, em algumas belíssimas páginas de um seu livro de crónicas sobre uma sua viagem pelo mundo árabe, pôs a nu, com a imensa coragem e capacidade crítica que, como político de esquerda, teve de usar, a fealdade geográfica, moral, higiénica e política daqueles regimes e territórios – daqueles desertos donde nasceram o monoteísmo, impiedoso e seco como o Sol, e a morte na alma nos personagens dos livros de Camus)

Chamavam-lhe o exemplo da luta do orgulho árabe para sua emancipação do neocolonialismo. Um belo exemplo, que abriu contas particulares de milhares de milhões de euros e dólares em Bancos sediados nas nações ocidentais que afirmava combater. O anti imperialista. O anti americano. O lutador contra o capitalismo europeu. O dono da verdade. Mas da verdade do Corão e, sobretudo, de si próprio.

Um militante do PCP (com altas responsabilidades no partido, embora não manifestando a sua posição oficial), aquando do lançamento de um míssil pelo regime de Kadhafi contra a Itália, que felizmente caiu no mar, teve esta linda mas mas pouco marxista frase “…foi pena não ter caído na capital do fascismo”.

Há uns tempos atrás, o governo e a justiça britânica libertaram o terrorista (o suposto terrorista) que fez explodir um avião repleto de inocentes (talvez junto com alguns agentes da CIA, segundo se sussurra) sobre a Escócia – para evitarem prejudicar os acordos económicos bilaterais expectáveis.

Um primeiro-ministro português, colaborador do capitalismo mundial, declarou-o um dirigente carismático aquando dos seus esforços para encetar negócios nas áreas da energia e da construção civil. Mas ao menos este é honesto no seu cinismo: não é por discordarmos dos regimes que devemos abdicar de fazer acordos económicos com eles, ou seja, os negócios devem estar acima das questões políticas e humanas.

Tudo boa gente esta, de esquerda e de direita. Mas, infelizmente, à gente de esquerda – ao contrário da direita – não se lhe pode reconhecer uma coerência irrepreensível.

Por onde foste esquerda, por onde foste? Se queres voltar a ser esquerda tens que regressar ao marxismo.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Aisha Kadafi pede união dos líbios para enfrentar terroristas e OTAN

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“A filha de Kadafi, Aisha, formada advogada e conhecida como mediadora, oficial militar e ex-embaixadora da boa vontade na ONU, mais uma vez é apontada como uma das líderes da resistência contra grupos terroristas e os mercenários da OTAN na Líbia.

Com alegações de ter se exilado na Algéria, Aisha foi apontada mais de uma vez como líder da resistência líbia, que já apareceu em fotografias em diversas partes do país levantando a bandeira verde da Jamahiria Árabe Popular Socialista da líbia. “O povo árabe líbio resiste sem uma unidade de direção”, declarou recentemente Aisha.

Aisha, que era tenente-coronel do exército líbio, conclamou a revolta e o “retorno da Jamahiriya”(“poder popular” criado pelo Livro Verde de Muamar Kadafi).

“Meu nome me dá um dever e um direito de estar à frente das batalhas que o povo líbio travar.”

Aisha seria um “símbolo da nação”, ao lado do retrato de seu pai “um símbolo da missão de restaurar a unidade nacional”.

Ela fez profetizou a destruição dos “lunáticos da Al Qaeda e Daesh” e que eles teriam de enfrentar uma nova coalizão, uma nova nação reunificada por um acordo – o que não é improvável já que alguns setores mais moderados e burocráticos que aderiram a tal “revolução” já manifestaram arrependimento frente a desordem atual. Ao mesmo tempo, criticou alguns movimentos líbios que decidiram fazer guerra segundo o princípio de “eu luto por quem paga mais”. Acusou estes de usarem a bandeira verde da Jamahiriya e recrutar apoiadores, fortalecendo governos tribais e ficando sob sua sombra.

Clamou para que os soldados das antigas Forças Armadas mantenham o juramento de defesa da Pátria diante dos ataques da OTAN e seus cúmplices: EUA, Inglaterra, França, Itália etc. Ela teria garantido que em alguns meses estabelecerá um agrupamento de lideranças leais ao ideário de Muamar Kadafi, e que ela servirá de mediadora no país e no exterior.

A declaração teria sido feito em vídeo e estaria sendo distribuída por centros importantes do país.

Parte da notoriedade de Aisha Kadafi inclui entre outros acontecimentos, a mediação de corporações europeias com o antigo governo, papel de liderança na diplomacia com o Iraque de Saddam Hussein (de quem Aisha foi advogada de defesa), participação na equipe de defesa legal de Saddam em seu julgamento, presidência na ONG que fez a defesa jurídica do jornalista que jogou o sapato em George W. Bush, e mais recente as duras críticas a órgãos da comunidade internacional, aos Estados Unidos e diretamente a Hilary Clinton e Barack Obama, pedindo aos órgãos internacionais que de fato servissem de mediadores e observadores na Líbia, excluindo os norte-americanos. Ela também tentou processar a OTAN pelos bombardeios, um deles que matou seu marido e uma filha pequena. Seu papel como embaixadora da ONU estava relacionado com o combate ao HIV, pobreza e direitos da mulher.

A posição de Aisha neste momento é importante porque os governos dos EUA e Inglaterra preparam novos ataques militares à Líbia, com a desculpa de atacar os terroristas da Al Qaeda e Daesh (Estado Islâmico) que eles mesmos criaram e financiam. Na verdade, mais uma vez EUA e Inglaterra inventam desculpas para atacar a Líbia para continuar roubando petróleo e gás natural do país”.
Postado por Jornal Água Verde às 04:29

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