Tristão e o Amor

Amor Vincit Omnia. 1601–1602. Gemäldegalerie, ...

Amor Vincit Omnia. 1601–1602. Gemäldegalerie, Berlin. Caravaggio shows Cupid prevailing over all human endeavors: war, music, science, government. (Photo credit: Wikipedia)
Podemos-nos lembrar de Engels quando escreveu que o amor humano é amor sexual. Quando a paixão sexual termina, o amor converte-se, no melhor dos casos, em amizade e no dever racional, que eleva a dignidade humana, de fazer o bem a quem nos fez. É esta a tragédia do amor humano: o hábito não é um reforço, como nos ratos, mas a causa do sentimento de vazio, de asfixia, da angústia de um fim adiado; mas, ao mesmo tempo, contraditoriamente, pode ligar-nos ao ser partilhado pela cumplicidade dos afectos e dos interesses vários, assim como pela necessidade, também tão incómoda às vezes, de nos defendermos mutuamente do mundo atomizado que nos rodeia. Quanto aos inquéritos e aos resultados estatísticos, valem o que valem: as pessoas respondem mais pelos seus desejos que pela realidade; as palavras são sonhos que embalam tristemente os fracassos da vida.
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