Crueldade Tauromáquica e Estética – ou a Crueldade da Beleza


Digo-te que apreciaria touradas se os cavaleiros e os bandarilheiros não usassem farpas mas se se limitassem a fintar e se os forcados pegassem o touro fresquinho e cheio de força de vida por não ter sido sangrado. A tourada à maneira de Creta (ver os frescos) essa sim é bela e de coragem. Não perderia uma. Assim como está, nem pensar.
Vês mais stress em alguma pessoa do que num forcado a tentar pegar um touro fresquinho da silva? Achas que o touro está com mais stress? Por que achas que as pegas são depois das lidas? 
É impossível para dez forcados pegarem um touro de mais de 600 kg, saudável e orgulhoso. Já vi isso na TV várias vezes. Mesmo depois de bandarilhado todas as tentativas de pega fracassaram. 
Estou de acordo com a ligação entre as touradas, o marialvismo e o estado novo, mas isso era antigamente. Agora está lá todo o “Jete Sete” e os outros números por aí acima. Picasso adorava a “dança” toureira, fez dela desenhos maravilhosos. 
Como disse, touradas há muitas. Em muitas culturas, brinca-se com o touro, símbolo de vitalidade (virilidade para os menos sensíveis). Em Creta, esperava-se a investida do bicho, saltava-se-lhe para o lombo e fazia-se uma pirueta mortal. Que mal fazia isso ao touro? 
Além disso, repito-o, para mim não faz sentido comer a carne engordada em autênticas cadeias de montagem, morta nos matadouros, cujas práticas são das mais horríveis, silenciar essa crueldade imensa diária, e depois lamentar o touro. 
Para finalizar, detesto mesmo o que fazem ao animal. Esta forma de tourada devia de facto ser só o habitat natural do toureiro.
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