Professora? – A Vida É Um Sacrifício Para Haver Festa Noutras Vidas

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É claro que não é um modelo para a mulher de todas as profissões. Para Mariana Perestrelo a vida é uma festa. Mas fazer da profissão uma festa não é sequer imaginável para uma docente.
Concebo o constrangimento duma professora emular-se como exemplo moral de sobriedade e de seriedade no emprego.
Mas que sobriedade é essa senão o receio de ser vista pelos alunos e apontada pelos pais como uma mulher-objecto, receio esse sublimado na ideia constrangedora e defensiva da infinita superioridade do intelecto sobre o corpo, na assunção do intelecto como o valor que – assim lhe ensina uma vida vivida entre supostos anjos-estudantes – passa por cima de todos os outros?
Que seriedade é essa senão a da destruição da alegria pela obrigação constante de no trabalho impor uma ordem que os alunos tomam por meio ideal para testarem os limites do seu poder social filando a coitada da professora, por mais frágil e pacífica que seja, como figura de autoridade?
Que frigidez não será o Inverno das professoras? Que injustiça a deste mundo que, não contente em roubar a felicidade das mulheres-professoras, ainda as insulta, como aos seus colegas homens, apontando-lhes a causa de todos os fracassos dos seus alunos e da própria sociedade?
Que inveja não deve obcecar a cabeça de tantas e tantas professoras a vida vívida desta senhora Mariana? Que há de melhor nela que as professoras, sem as quais, com os seus colegas, jamais poderia haver qualquer Mariana, não tenham?
Beleza, iniciativa, inteligência social? Não, a beleza, a iniciativa e a inteligência social são-lhes roubadas pouco a pouco, com a crueldade da tortura de Estado sacralizada mediante a liturgia das ideias feitas, pela digna profissão que abraçaram como a um amante que as despreza.
«Licenciada em Comunicação Empresarial, Mariana iniciou o seu percurso profissional no mundo da moda. Ainda durante o curso, estagiou em Paris na Christophe LeMer e, mais tarde, descolou para Nova Iorque, onde trabalhou na Elite Model Look. No regresso a Portugal, passou pelo departamento de moda da revista Elle e integrou a equipa da Arranca Corações, onde fez comunicação de marcas como a Nike, a Mango ou a Homeless. Mais tarde, foi convidada para ser directora de comunicação da Osklen: foram cinco anos intensos mas, na recta final, já ansiava por outros voos. “É então que começo a trabalhar como freelance, organizando festas de amigos e projectos com o Out Jazz, que desenvolvo em parceria com o meu marido.”
Todas as tardes de domingo, de Maio a Setembro, Mariana troca os saltos altos pelo calçado confortável, pega nos dois filhos e sai com o marido para mais uma tarde de música ao ar livre. Podia ser o perfeito programa de lazer para uma família urbana mas (também) é mais um dia de trabalho. “O Out Jazz existe desde 2007 com o tema ‘Cinco meses, Cinco jardins’. Durante este período, promovemos concertos nos jardins da cidade. A ideia é revitalizar os espaços verdes e chamar pessoas para a rua.”» (Máxima.pt).
Que bela vida, que bela a de Mariana!
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