Sociedade Pedocêntrica

 

Uma sociedade que se detesta – em particular uma sociedade na qual os adultos têm uma desconfiança ‘a priori’ de todos os outros – é uma sociedade que ama patologicamente as crianças a ponto de as sacralizar, de as querubinizar. E tanto o faz que as torna intocáveis, inefáveis, como fonte pura e necessariamente impoluta de toda a esperança.
É assim que as crianças se vão tornar adultos egocêntricos e cínicos, com o cinismo de quem viu os valores reduzidos ao mínimo denominador do querer e da sua utilidade. Bem verdade é que a culpa é dos adultos, não das crianças.
O seu interesse por elas é um desinteresse interessado por si mesmos.
Veja-se Rousseau (o grande Rousseau sob vários aspectos) com o seu hipotético homem natural (a criança adulta e pura dos tempos primitivos) que entregou os filhos ao cuidado de um asilo de anjos abandonados.
Veja-se também Maria Montessori, uma das que está na origem da escola nova (activa), que apesar de idealizar nas actividades práticas pedagógicas das crianças – ainda que orientadas e supervisionadas – a sua crença na progressiva automanifestação dos espírito divino nelas (à semelhança do pretérito Froebel), detestava a docência, a relação exigente e constante das crianças, e delegava a sua prática docente nas suas assistentes.
Não nos faz isto pensar nos nossos funcionários pedagogos do ministério da educação e sobretudo nos e nas ministras das últimas décadas?
Que mal lhes terão feito os adultos em criança?
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