A Coreia do Norte no 60º Aniversário do Armistício da Guerra – A Luta Ideológica Não Terminou

 

 

Entrei no espaço do comentários de O Público (28-07-2013) na rede a propósito deste aniversário e constatei que a luta ideológica se mantém vivíssima entre comunismo e capitalismo. Faço de início a recapitulação de uma parte dos comentários, com o meu ponto-de-vista, que não é para interpretar como se denotasse uma identificação acrítica com o regime para-religioso e  militarizado de um certo tipo de comunismo da Coreia do Norte, o qual não me agrada mas respeito como estrangeiro e enquanto desconhecedor de muito do que realmente se passa lá:

“O uso de bombas atómica contra o Japão não foi nenhum crime”, escreveu um comentador. Já estamos a ver de quem está ao lado da civilização e de quem está ao lado da barbárie em nome do “direito humano à propriedade privada”, como escreveu outro comentador, direito com certeza à propriedade dos meios de produção com uso de assalariados, pois não se deve tratar do direito às cuecas, à habitação, aos meios de produção privados, à padaria do vizinho ou ao estúdio de artes gráficas de um amigo meu. É verdade que muita coisa correu mal nos regimes comunistas. Porém, há uma coisa que para mim é evidente. Toda essa retórica contra os “crimes dos comunistas” e que ignora as centenas de milhões de mortos, os milhões de escravos, a miséria a que foram condenados os países do terceiro-mundo, a delapidação da Natureza, os massacres para atemorizar e conquistar, tem um objectivo bem definido: manter as pessoas incapazes de vislumbrar uma alternativa ao ídolo do capital.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comentador B: “Se quiser criticar alguém critique o McArthur e não todos os EUA porque os EUA não usaram a arma.” Na Coreia, os EUA usaram todos os tipos de armas com excepção da nuclear, por razões óbvias. E bombardearam com tal brutalidade o norte da península que não ficou de pé nem um único edifício com mais de um andar. E no solo 4 milhões de coreanos mortos…


Comentador A: Houve variadíssimos crimes de guerra nesta guerra a maior parte feitos por coreanos (norte e sul). Investigue e veja as “limpezas ideológicas” que houve no terreno que mataram muito mais que os bombardeiros americanos.Depois diga-me que os maus são a ONU (porque repito que a intervenção foi da ONU)
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      2. Comentador B: “Considerar o uso de uma arma nuclear não é em si próprio um acto bárbaro. Usá-la é e os EUA são os únicos que o fizeram até agora” …apenas 6 anos depois do crime de guerra e contra a humanidade que foram as bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki Mac Arthur prossionou Truman publicamente para bombardear as bases chinesas na Manchúria com bombas atómicas. Não se tratou de considerar fosse o que fosse foi mesmo pressionar… 
      1. Comentador A: Mas não usaram. Ter um general a pressionar para usar uma arma ou para fazer os infames bombardeamentos “carpete” que devastaram a Alemanha é normal – os EUA não usaram a arma por várias razões. Pressão para usar armas nucleares na guerra fria houve dos dois lados que agressivamente tentaram arranjar mais partes do mundo. Se quiser criticar alguém critique o McArthur e não todos os EUA porque os EUA não usaram a arma.


        Anónimo O uso de bombas atómica contra o Japão não foi nenhum crime. Aliás, o número de baixas que causou foi inferior ao massacre que os Japoneses perpetraram em Nanking ou aos bombardeamentos convencionais que os Aliados impuseram ao Japão nos últimos meses de guerra e ninguém menciona esses dois aspectos…ou o uso de armas biológicas sobre os chineses…mas enfim, para demonizar os EUA recorre-se a tudo, até à hipocrisia.
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      2. Comentador B: “O comandante estado-unidense (MacArthur) propôs a Truman o uso da bomba atómica, mais uma vez, e o presidente, temendo a resposta da URSS, demitiu-o do comando. Os actos bárbaros dos EUA não são para branquear. ” Tem razão mas 60 anos depois ainda há quem os tenta branquear… 
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      4. Comentador A: Considerar o uso de uma arma nuclear não é em si próprio um acto bárbaro. Usá-la é e os EUA são os únicos que o fizeram até agora garantidamente. Mas a URSS e a China já consideram a hipótese. A Coreia do Norte também considerou a a hipótese senão não estava a tentar fazer uma – razão pela qual é alvo de sanções internacionais.
      1. Entretanto, acabei também por responder a este comentário, indirectamente ligado às questão da Coreia do Norte: “Os explorados no terceiro mundo também são explorados pelos regimes comunistas – coisa que convenientemente esqueceu. A diferença principal é que a China não exige um respeito mínimo aos direitos humanos dos locais”. Mas a China é comunista ou é um regime político monopartidário estreitamente ligado à defesa da propriedade privada dos meios de produção – sobretudo à grande propriedade privada -, onde ainda há todavia propriedade social, como, de resto, até existe nos EUA?

        Actualmente, a China parece-me mais capitalista na sua relação com os outros países (associa-os pelos comércio) do que os EUA, que parecem mais feudais: ataca as nações estrangeiras e transforma-as em seus feudos. É o Manifest Destiny ampliado. Você, Comentador A, tem o grande defeito de ver o mundo a preto-e-branco, um mundo metafísico, abstracto, de manual.

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