Hans-Jürgen Syberberg e o Nazi-Fascismo: Parsifal e O Nosso Hitler: Um Filme da Alemanha

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Encontrei nos meus caixotes com dvd o Parsifal encenado e filmado em palco por Hans-Jürgen Syberberg. Este usou a ambiguidade intencional de produzir a peça em palco mas sem uma representação ao vivo, diante dos espectadores, e de pôr alguns dos actores, embora nem todos,  dobrados vocalmente, enfatizando o carácter convencional e supremamente artístico da ópera
É uma peça notável que recupera a tese, polémica, de que Wagner transpôs para a música uma visão do mundo proto-fascista, aliás como as “teorias” da conspiração actuais, algo preocupantes, que reproduzem as ladainhas que levaram as pessoas a aderir ao fascismo. Wagner – inspirado por Schopenhauer e em parte por Nietzsche – põe à frente a vontade à qual submete a razão, e vê no capital industrial e sobretudo financeiro internacional (oportunista e redutor do trabalho humano ao dinheiro) e na classe operária, nesses “nibelungos” das minas subterrâneas (seres infra-humanizados pelos adoradores do ouro e pelos agiotas, que devem contudo ser trazidos para a causa, como substância da pátria) a origem da queda dos grandes valores aristocráticos (heróico-militares, elitistas e tradicionalistas). 
Reconheça-se, entretanto, a qualidade genial da obra de Wagner, como inovador e grande criador na ópera, na qual também se manifesta como poeta de relevo, e na grande música em geral. É pelo seu enorme valor, à vez artístico e ideológico, que continua e continuará a ser objecto de tantos estudos e polémicas. 
Os grandes ideólogos do nazi-fascismo partem desta mistela pseudo anti-capitalista, pois (cabeças-de-ferro da luta capitalista contra o comunismo) apoiaram e foram apoiados pelos grandes industriais nacionais e internacionais (da Alemanha aos Estados Unidos, passando por outras origens), inclusive pela banca. 
Não me repugna a ideia do Syberberg, segundo a qual Wagner foi um, entre outros, dos que preparou a ideologia nazi, cujas raízes, de resto, já vêm de muito longe, pelo menos desde a ordem religiosa militar teutónica (século XIII: invasão da Rússia pelos teutões e pelos livónios). Isto, apesar de gostar muito da ópera de Wagner, a qual, todavia, não ponho acima de Mozart (vi há pouco tempo umas Bodas de Figaro notáveis, por excelentes cantores-actores e por um grande encenador italiano) nem de Verdi (tão profundos quanto Wagner mas muito mais humanistas).
Uma outra obra de Syberberg acerca do nazismo, que procura pelas suas raízes, é O Nosso Hitler: Uma História da Alemanha, que reproduzo aqui:

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