Homenagem a Immanuel Kant (do livro Matéria Humana)



neste tempo vorticista o teu relógio
não é um anacronismo
Por isso pergunto-me qual a razão
da culpa que te faz moderno
porque ao fim e ao cabo nos perguntas
ainda o que é ser-se moderno
As pessoas deitam-se com corpos
e preconceitos
enervam-se de um contacto enfadonho
e sabe-lhes ainda a vício
os dons do néctar salgado
Os teus conterrâneos de Königsberg
acertavam horas pelos teus passos
Agora só no quarto das traseiras
uma luz penetra empoeirada a sala
a que tu mantinhas limpa com tudo
no seu lugar num lugar para tudo
condenaste a ciência para dar esperança à fé?
a ciência é dura
e todos o sabem
O corpo mortal
todos desesperam
Mas aí por trás da
muito mal contada
corcunda nascida
de hábitos a metro
com regras de monge
contando as horas
a pisar um solo
frio com pés chatos
o dever ser livre
na verdade altiva
ergueu as asas
Por isso respondo
Foi seres moderno
em teu sapere aude
que até dentro em nós
inda levas guerra
à paz podre feita
dos tímidos crentes
desta presente era

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